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"O Caminho"

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Todos os anos, aqui na ilha, pelo mês de Setembro, todos os caminhos vão dar à Serreta. A romaria até à freguesia é uma tradição que, tem vindo a ganhar muitos peregrinos ao longo dos anos. É o "El Camino" da Ilha Terceira. E, este ano acho que foi o ano em que mais pessoas vi pelo caminho.
Mais do que uma ida à Serreta é uma oportunidade para reflectir, cumprir, agradecer, apreciar e estar com os amigos. Mas mais do que isso é uma caminhada espiritual. Temos pela nossa frente um longo caminho. Para mim, este ano, a caminhada teve outro significado. Outra importância. Não sei bem o porquê. Talvez, por estar mais desperta para o meu interior. Por estar com uma perspectiva de vida que ao longo dos anos tenho vindo a regar e que agora está a dar os seus frutos. Talvez seja isso. 
Pelo caminho não reflecti tanto quanto gostaria, mas cheguei a algumas conclusões. Chegar ao destino foi uma vitória e um sacrifício, mas a missão foi cumprida. Consegui entrar na Igreja e ir à frente, coisa impossível de há uns anos para cá. Rezei. Nem sei bem para quem rezei. Apenas pedi para olhar/em pelos meus. Apreciei e parei para guardar alguns momentos, porque é isso que levamos da vida. Foi mais forte do que eu. Um pôr-do-sol que merecia ser fotografado. A qualidade pouco interessou, apenas tinha que fazer um clic.

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A viagem foi assim. Quatro horas pela frente com momentos que não se esquecem. Dos mais bonitos e saborosos foi de um grupo de senhoras que ofereciam doces aos peregrinos: "Um docinho para a viagem!", diziam elas. Talvez, tenha sido uma promessa feita. Mas o bolinho que recebi soube bem. Nada melhor que doces caseiros feitos com carinho. Ao longo do caminho, recordava-me de alguns momentos das minhas antigas caminhadas à Serreta. Comecei ainda criança com a minha madrinha e companhia. Era uma alegria. Ainda não tinha a noção do significado de todo o percurso, mas fui aprendendo. Parávamos em sítios para comprar uvas ou socas de milho. E, das últimas viagens com a minha madrinha, prometi-lhe que no ano seguinte iria de escuteira. Sempre quis ser escuteira, mas não foi possível. E, a promessa não foi cumprida. Mais tarde deixou de fazer sentido.
No entanto, nem tudo foi/é um mar de rosas. Com a quantidade de caminhantes, nem sempre era possível manter o mesmo passo. Por isso, custou-me mais. E, como nem todos vão por motivos religiosos, nem sempre respeitam os que vão. Atirar garrafas de vidro para o chão não tem qualquer graça. Há peregrinos que têm promessas a cumprir descalços ou de joelhos e quanto menos obstáculos tiverem pelo caminho melhor. E, claro, em cada freguesia há caixotes do lixo e ecopontos, por isso, não há motivo nenhum para deixarem lixo pelo chão. Respeito pela natureza e pelo outro é bonito de se ver.
Hoje, tenho o corpo dorido, mas nada que atrapalhe o meu dia. Tenho apenas que agradecer o facto de estar cá, ter feito o caminho e de ter saúde. Há quem queira isso e não tem.

Um óptimo dia, leitores deste cantinho! 

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