Pages

Um pouco de mim - II

Escrevi o seguinte texto há alguns meses. Na altura, tinha receio de o colocar neste nosso cantinho, no entanto, novos acontecimentos surgiram, por isso, decidi, expor-me um pouco mais e dar continuação ao texto.

"Expor-nos na Internet é sempre algo que muitas vezes pode ser negativo. Já algumas vezes referi, neste meu cantinho, que devemos ter cuidado com o que escrevemos sobre nós. Que há assuntos mais delicados que devem ser partilhados apenas com o nosso coração ou com alguém que seja importante para nós. No entanto, existem assuntos que merecem especial atenção. E, um deles é: ansiedade. 

Sofro de ansiedade há cerca de dez anos. Teve início quando a minha madrinha faleceu. Lembro-me de apanhar o autocarro para a escola, sentir-me muito mal, fiquei pálida, não consegui enfrentar o dia e fui para casa. Desde então, tenho tido ataques de ansiedade e de pânico. Ao longo dos anos consegui controlar. Havia anos que nada se passava. Noutros, ficava uma semana ou mais com os sintomas. Por isso, bebia, e bebo, muito chá, principalmente de camomila. Também, é por essa razão que não bebo nada com altos níveis de cafeína. É por isso também que, tenho vindo a adquirir, ao longo dos anos, um estilo de vida mais tranquilo, mais simples, sem muitas preocupações, o que nem sempre é possível.

Vou aprofundar mais o assunto para perceberem o que muitas vezes sinto. Trata-se de um pânico de antecipação. Começo por pensar que algo pode acontecer por não estar acompanhada. É importante referir que, sempre fui uma pessoa que vai para os sítios sozinha. Nunca precisei de ter alguém para ter uma desculpa para sair. Mas, com os ataques, tenho que estar muitas das vezes acompanhada. Deixei de andar de autocarro sozinha, porque tenho receio que possa faltar-me o ar e não tenho ninguém conhecido a meu lado. Tenho que estar sempre com o telemóvel, por medo de não poder falar com alguém caso tenha um ataque. Adoro ir ao cinema, mas há dias estreou o último filme da trilogia "The Hobbit", tinha os bilhetes, estava pronta para o ir ver, até que pensei que podia entrar em pânico no cinema. Por isso, fiquei em casa. Tenho receio de correr, de fazer subidas, de fazer grandes esforços...por poder, a uma determinada altura, faltar-me o ar. Fiquei com receio de andar de avião, de viajar sozinha, etc. De, acima de tudo, estar sozinha. O pior é interiorizar coisas negativas que me afectam no dia-a-dia. Como podem ver, nem sempre é fácil.

Com a ansiedade vem o cansaço. Se antes pensava que poderia ser um sintoma de que algo não estava a funcionar bem no meu organismo hoje, sei que se deve à ansiedade e ao pânico. Os meus músculos ficam tensos e, muitas vezes fico irritada sem razão aparente. Por isso, tento sempre ser positiva no meu dia-a-dia. Tirar o melhor que posso. Tentar não pensar tanto. Pensar em demasia atrai apenas negatividade. Podem crer no que escrevo.

Há uns anos, falei com alguém sobre isso. Esta pessoa perguntou-me se tomava medicação. A minha resposta foi negativa. Não quero que o meu corpo ingira químicos que de nada vão melhorar a minha situação. Trata-se de um problema psicológico que só eu posso resolver. Por isso, essa pessoa recomendou-me uma variedade de chás. Já percebem porque adoro chá? A verdade é que os chás ajudam-me muitas vezes, noutras tenho que ser eu a ajudar-me. Quando falo em ajudar-me, falo em meditação, em pensamentos positivos, em não pensar nas situações menos afortunadas, em tirar apenas o melhor dos acontecimentos, em agradecer cada dia, em tornar-me numa pessoa melhor, em viver o momento. É uma luta diária.

Mais um pouco de mim foi exposto aqui. Se deveria ter escrito ou não, não tenho a certeza. A única certeza que tenho é o facto de que cada palavra digitada fez-me sentir mais leve. "

Continuação...

Viajar até à Bulgária foi uma experiência inesquecível, não só pelas pessoas que conheci, mas também por ter enfrentado o medo de viajar sozinha, além de estar acompanhada por três pessoas portuguesas fantásticas.

Em dez dias, andei seis vezes de avião. Tentei ultrapassar o medo de estar num espaço fechado sem qualquer forma de escapar. Ao voltar da Bulgária, os ataques de pânico voltaram. Isso, porque, apesar de ter sido uma aventura, o meu sistema nervoso, não assimilou tamanha mudança. A desmotivação voltou e, mesmo ao ir trabalhar, finalmente, para um espaço onde podia trabalhar com crianças, como Educadora, não foi suficiente para ultrapassar a ansiedade. Para ir para o trabalho, tenho que recorrer ao autocarro e ando em quatro autocarros por dia. Quando cheguei ao extremo do meu cansaço, não conseguia ir trabalhar e chorava imenso. O meu ombro amigo foi, e sempre o será, o meu namorado. Tentou acalmar-me e muitas vezes, utilizava o telemóvel para conversar com ele no autocarro e esquecer o pânico. Cheguei a entrar várias vezes no autocarro e sair antes de ele partir. Foi uma fase complicada até que, o meu namorado e a minha melhor amiga convenceram-me a ir às urgências.

Nesse dia, de noite, fui ao hospital. Fui bem atendida e tomei um SOS. Não queria tomar medicação, mas, infelizmente ou felizmente, teve de ser. Estou a ser acompanhada e desde então, os ataques foram amenizando. Tenho conseguido dormir melhor e a voltar à Josefa que sempre fui ou que sempre quis ser, mas que não tive oportunidade de o ser. Quem me vê, pensa que estou sempre feliz, por ter sempre um sorriso no rosto. No entanto, nem sempre é assim. A vida não é fácil. Posso estar a escrever isso e ninguém entender o meu sofrimento, mas escrevo para quem entende e, principalmente para quem está a passar pelo mesmo.

Um bom ano para vocês e estou a fazer o possível para que o meu também o seja. Aceitar a minha "doença" foi o meu primeiro passo, algo que 2015 trouxe de bom.  

Sem comentários:

Enviar um comentário

Grata pelas vossas palavras.
Com carinho,
Josefa Bettencourt. ♥