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"Volunteering for Knowledge" - TC Sofia

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Já se passaram quase sete meses desde a aventura à Bulgária. Um país do qual não pretendia visitar tão cedo, mas que me proporcionou momentos dos quais não irei esquecer.

Estava a precisar de algo diferente na minha vida, naquela altura. De partir para o desconhecido e de conhecer pessoas com culturas e ideias diferentes que, fizessem com que eu crescesse num curto espaço de tempo. E, assim, durante dez dias parti. Hoje, não sei como tive a coragem de o fazer. Sendo eu uma pessoa ansiosa e com todos os problemas que já descrevi no post anterior. No entanto, peguei na minha mala e com a força do meu namorado e família fui em busca de algo, de mim. 

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Partimos para Lisboa e passámos a noite no aeroporto a dançar folclore e...sem dormir. Até chegar a Sófia, ficámos, mais ou menos, trinta e três horas sem dormir. Lembro-me de passar pelas "brasas" durante a viagem, mas não passou disso. Parámos em Viena. mas não pudemos visitar nada, já que o avião não tardava a partir. Ao chegar a Sófia, descobri que tinha perdido a minha máquina fotográfica. Por momentos, entristeci-me, mas lembrei-me que os bens materiais eram o menos importante nesta viagem. Durante isso tudo, não criei grandes expectativas, pois não queria chegar ao final da formação e sentir-me desiludida. Ah, já agora, a formação consistia no voluntariado para o conhecimento, através do desporto. A palavra voluntariado, cativou-me e foi aí que se fez o "clique". Fui aceite e lá parti nesta pequena aventura, para muitos, mas grande para mim.

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Saí da minha zona de conforto e entrei em contacto com jovens da Bulgária, Polónia, Eslováquia, Itália, Espanha, Irlanda, Hungria...e adorei todos os momentos que passámos juntos. É claro que, ao chegar lá, foi um pouco complicado. Pus-me a pensar que estava longe de casa e que sentiria a falta do meu namorado, mas aos poucos toda esta ideia passou-me ao lado e continuei no meu caminho. Há quem viaje apenas por viajar, eu, aprecio os pequenos momentos. Absorvi todas as palavras, os abraços, os choros, os risos e gargalhadas.

11899816_732870650152114_8941444813210184909_nPartilhei o quarto com uma menina especial, vinda da Grécia, Sundy. Muito querida e com uma voz estrondosa. Descobri isso, sem ela dar conta, já que apanhei-a no chuveiro a cantar. Uma voz de arrepiar.

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Os dias de formação decorriam entre as 09h e as 19h e, apenas na quarta-feira tivemos tempo para visitar a cidade. Desde aí, passámos o resto da viagem em formação e a descobrir Sófia.11899836_10205937008597284_647480750552881147_n Tivemos imensas oportunidades para conhecermos cada pessoa, criar projectos que nos iriam beneficiar, conhecer pessoas que apostaram no seu instinto e, hoje, têm grandes negócios. Fez-me falta conhecer os jovens que foram ajudados por algum voluntário, penso que esta foi a maior falha na formação. Gosto de saber o impacto do voluntariado na vida das pessoas e fazia todo o sentido, já que fazia parte do programa. No entanto, as pessoas que participaram nesta formação, ajudaram-me imenso a perceber isso. Uns faziam voluntariado em centros de crianças, outros, através da sua arte, como patinagem artística, ajudavam jovens a desenvolver as suas competências nesta área. Foi uma experiência incrível, da qual hoje não me arrependo de ter deixado a ilha, por um curto período de tempo.

11855847_732867716819074_2457125465568331177_nPara além de tudo isso, fiz grandes amizades que, apesar de não estarmos em contacto todos os dias, sei que estão presentes na minha vida. E, recordo cada momento com muito carinho.

Apesar de, estar em contacto com a pobreza, esta viagem, abriu-me ainda mais os olhos. Vi cenários que me arrepiaram e um que nunca esquecerei. Tínhamos acabado de jantar num restaurante, ao sair, encontro um idoso sentado numa cadeira a vender flores. Teria cerca de setenta e poucos anos. Podia bem ser o meu, o teu, Avô. Comprei-lhe um raminho de flores e ainda hoje, tenho guardado os restos deste ramo. Ao comprar, as lágrimas vieram-me aos olhos. Virei a cara e fui em sentido contrário dos meus amigos, com um enorme ataque de choro. Sei que estamos mais do que habituados à pobreza constante na televisão e em nosso redor, mas ao chorar, apercebi-me que não consigo ser tolerante. Não sou capaz de virar as costas. E, penso que é o que falta a muita boa gente. Tenho guardado em mim, o rosto do idoso e irei recordá-lo sempre, em cada gesto que farei em prol dos outros.

Para voltar à ilha, passámos por Viena e aí conseguimos conhecer, um pouco, a cidade. Estrondosa! É o que tenho para dizer. Gostava de lá voltar, mas é claro, é uma cidade muito cara e teria que ter um budget maior (algo que, de momento, não tenho)
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Espero apenas que, um dia, possa voltar a reencontrar todas estas pessoas e que, eu tenha novas oportunidades de viajar. É algo que amo verdadeiramente. E, sabe sempre ainda melhor, quando, ao nosso lado, temos amigos dispostos a fazer de tudo para que todos os momentos vividos sejam inesquecíveis.   

2 comentários:

  1. :( também penso muitas vezes nessas pessoas e por isso sinto-me quase sempre grata pelo que tenho (também tenho os meus momentos de auto-comiseração de vez em quando mas passa). Gostei muito das fotos ♥

    beijinho

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    1. É verdade, todos nós temos esses momentos. Mas, muitas vezes, penso nos outros. Que, ao lado de muitos, tenho muito. :)

      Obrigada! ♥

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Grata pelas vossas palavras.
Com carinho,
Josefa Bettencourt. ♥